Lula da Silva foi recebido por manifestação a favor e outra contra
Duas manisfestações, separadas por um cordão policial, marcaram a visita de Lula da Silva ao Palácio de Belém. Uma contra o presidente brasileiro, promovida pelo Chega, outra de apoiantes.
Lula diz que Portugal e Brasil vivem o seu melhor momento
De visita a Portugal, o presidente do Brasil reuniu-se com António José Seguro e Luís Montenegro. O primeiro-ministro desvalorizou o mal estar devido ao tema da imigração e diz que foram regularizados mais de 200 mil brasileiros nos últimos dois anos.
Presidente do Brasil terminou visita a Portugal que qualificou como "muito boa"
Lula da Silva encontrou-se em Belém com o presidente António José Seguro e em São Bento com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O Presidente brasileiro deixou o Palácio de Belém pelas 17:15, cerca de duas horas depois de ter chegado, tempo para um encontro com o Presidente da República, António José Seguro, seguido de um almoço que também contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e de ministros dos dois governos.
Questionado pelos jornalistas à saída, Lula da Silva não respondeu a perguntas limitando-se a dizer que a viagem foi "muito boa, maravilhosa", seguindo depois para o aeroporto rumo a Brasília, com escala técnica em Cabo Verde.
Esta foi a primeira vez que Lula da Silva se encontrou com Presidente António José Seguro, antigo secretário-geral do PS, que assumiu a chefia do Estado português em 09 de março, sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa.
Hoje, antes de ir para o Palácio de Belém, Lula da Silva esteve na residência oficial de São Bento, em Lisboa, onde se reuniu com o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Neste seu terceiro mandato como Presidente do Brasil, iniciado em janeiro de 2023, Lula da Silva esteve em Portugal, em abril desse ano, para uma visita de Estado, a convite de Marcelo Rebelo de Sousa, para a 13.ª Cimeira Luso-Brasileira e a entrega do Prémio Camões a Chico Buarque, quando ainda estava em funções o anterior Governo do PS chefiado por António Costa.
Em fevereiro do ano passado, Marcelo Rebelo de Sousa, que tinha estado na posse do Presidente brasileiro, fez uma visita oficial ao Brasil que seguiu o mesmo modelo, com passagens por Recife e Brasília, seguida da 14.ª Cimeira Luso-Brasileira entre governos, já Luís Montenegro como primeiro-ministro, à frente de um executivo de coligação PSD/CDS-PP.
Lula da Silva já deixou o Palácio de Belém
O presidente brasileiro encontrou-se com o presidente António José Seguro para um almoço a residência oficial da Presidência, em Belém.
Lula da Silva quer construir em Portugal parte do que negociar com UE
O presidente brasileiro enalteceu as relações entre Portugal e o Brasil, que, na sua opinião, atravessam o "melhor momento".
Lula da Silva falava na residência oficial do primeiro-ministro português, após um encontro de cerca de uma hora que manteve com Luís Montenegro.
O chefe de Estado brasileiro, que chegou ao Palácio de São Bento com hora e meia de atraso, enalteceu as relações entre Portugal e o Brasil, que, na sua opinião, atravessam o "melhor momento".
"Agora que Portugal ajudou o Brasil a fazer o acordo União Europeia - Mercosul, agora sim, conseguimos dizer alto e bom som que Portugal pode ser a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros aqui em Portugal", disse.
Lula da Silva revelou que disse ao primeiro-ministro português que ia conversar com os ministros brasileiros, para que estes conversem com as indústrias, pois "é muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia seja construída" em Portugal.
"Aí sim, estaremos a fazer uma parceria séria, que seja um jogo de ganha-ganha", referiu, acrescentando: "Não queremos que Portugal seja apenas a porta de entrada; queremos que Portugal seja a porta da construção de uma parceria robusta entre dois países que se conhecem desde abril de 1500".
Por seu lado, Luís Montenegro, afirmou que Portugal defende o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado em 17 de janeiro, depois de mais de 20 anos de negociações, que visa eliminar ou reduzir drasticamente as tarifas alfandegárias entre os dois blocos.
Lula da Silva disse que é possível repetir experiências como a Embraer, um fabricante aeroespacial brasileiro que está presente em Portugal, onde produz estruturas metálicas e compósitas para aeronaves.
"A Embraer é a demonstração mais bem-sucedida de uma empresa brasileira que está a ajudar a construir coisas aqui em Portugal, aproveitando mão-de-obra altamente qualificada e que pode crescer", afirmou.
E prosseguiu: "Outras empresas brasileiras podem vir para Portugal e daqui a gente aproveitar um comércio extraordinário, que envolve 750 milhões de pessoas e um PIB de 22 biliões de dólares" (cerca de 18,7 biliões de euros).
Recordando que é um "defensor do multilateralismo e inimigo do unilateralismo e do protecionismo", Lula da Silva lamentou que o acordo entre a UE e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) entre, mas provisoriamente, em vigor a partir de 01 de maio, porque os eurodeputados enviaram-no para o Tribunal de Justiça da UE para verificar a sua conformidade com a legislação comunitária.
Para o chefe de Estado brasileiro, o comércio internacional só resulta quando o cliente não é sufocado: "É preciso que o cliente sobreviva para ser teu cliente. E é isso que nós queremos, que a nossa relação com a União Europeia seja o mais sofisticada possível".
"Não somos favoráveis à segunda guerra fria, não aceitamos guerra fria; não temos preferência comercial entre a China e os Estados Unidos. Queremos ter relação com a China, com os Estados Unidos, com a Rússia, com a França, com todo o mundo, sem preferência. O que queremos é multilateralismo, harmonia e muita paz para poder negociar", afirmou.
Lula da Silva falou ainda da comunidade brasileira agradecendo o "carinho" com que os brasileiros são recebidos em Portugal.
"Se tem um povo trabalhador é o brasileiro, que gosta de trabalhar e aprende depressa", disse.
Visivelmente bem-disposto e com muitas referências futebolísticas, com destaque para Eusébio, Lula da Silva disse esperar que, em 2026, nos Estados Unidos, "Portugal leve em conta o seu discurso de harmonia entre o Brasil e Portugal e que Cristiano Ronaldo e a sua turma não tente derrotar o Vini Jr (Vinícius Júnior) e a turma dele".
Isso, ironizou, poderia criar um conflito irreversível entre Portugal e o Brasil.
Ventura diz que não se deixa intimidar pela concentração de apoio a Lula
Concentração de apoio continua em Belém: "Temos muito orgulho do nosso presidente"
“Precisamos de reforçar a democracia, que em vários países está a ser ameaçada. Então estamos aqui a apoiar o presidente”, disse à RTP um membro da comunidade brasileira.
Outra participante disse que “temos muito orgulho do nosso presidente e de todo o trabalho que ele tem feito com a ONU pela paz no mundo”.
Lula da Silva chegou ao Palácio de Belém
Lula quer que Portugal seja "a grande porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros"
“Mas agora que Portugal ajudou o Brasil a fazer o acordo UE-Mercosul, agora sim nós conseguimos dizer alto e bom som que Portugal pode ser a grande porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros aqui”, considerou.
Lula da Silva disse ser “muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a UE possa ser construída aqui em Portugal, porque aí sim estaremos a fazer uma parceria séria”.
Lula da Silva lança críticas a Donald Trump
No plano internacional “hoje nós temos a maior quantidade de conflitos da história depois da II Guerra Mundial”, vincou, dizendo que “não há uma única instituição capaz de falar a palavra ‘paz’”.
“O que a gente vê todo o santo dia é declarações, não sei se brincadeira ou não, do presidente Trump a dizer que já acabou com oito guerras e ainda não ganhou o prémio Nobel da paz”, criticou Lula da Silva.
Montenegro destaca "laços de amizade e fraternidade"
“Relativamente ao futuro, estamos muito empenhados – e sei que é recíproco – no aprofundamento de tudo aquilo que tem a ver com a implementação e entrada em vigor (…) do acordo da União Europeia com o Mercosul”, declarou no final da reunião com Lula da Silva.
“Portugal é um defensor intransigente deste acordo, que coloca mais de 700 milhões de consumidores em contacto com as suas estruturas económicas, em cooperação, promovendo um mercado mais fluído”, acrescentou.
O primeiro-ministro vincou ainda que “nunca como hoje houve uma comunidade brasileira tão expressiva a viver em Portugal”.
Concentração de apoio a Lula junto à concentração do Chega
Estes manifestantes têm uma faixa onde se lê "Lula, Portugal te recebe de braços abertos" e outra "Lula 2026" e vão gritando "Lula, guerreiro do povo brasileiro", "Portugal tem futuro com Lula e Seguro" ou "olé, olá, Lula, Lula".
Ambas as concentrações estão delimitadas por grades e fitas da polícia, e no local está um forte dispositivo policial, mais concentrado do lado dos apoiantes de Lula.
Ventura participa em concentração contra Lula e chama-lhe "corrupto e ladrão"
“Hoje o Brasil tem milhares de pessoas presas porque ofenderam o Lula, ofenderam aquilo que eles consideraram as instituições do Lula – o próprio Bolsonaro está preso”, disse André Ventura aos jornalistas.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
“Estas pessoas que aqui estão, que são muitos deles brasileiros, estão a pedir a Portugal que seja o último reduto da sua luta contra um corrupto e um ladrão”, prosseguiu o líder do Chega.
“Eu gosto de estar do lado dos que lutam pela liberdade, contra a corrupção”.
Lula da Silva já está com Luís Montenegro
Voo de Lula atrasado
Duas concentrações previstas
Para o mesmo local está agendada uma outra concentração, mas de apoio ao presidente brasileiro, organizada pelo núcleo em Portugal do Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva.
c/ Lusa
Brasil terá eleições em outubro
A comitiva também contará com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), Jorge Viana.
Lula da Silva estará em Lisboa apenas um dia, após passagem por Espanha e Alemanha.
Membros do Governo brasileiro calculam que a visita de Lula da Silva à Europa deve ser a sua última viagem internacional antes das eleições gerais de outubro, quando disputa a reeleição para um quarto mandato.
c/ Lusa
Imigração, xenofobia e aeronáutica em cima da mesa
Na agenda com Montenegro, no Palácio do São Bento, serão tratados ainda temas de cooperação nas áreas de ciência, de tecnologia e de inovação, adiantou a diplomacia brasileira.
Já na agenda bilateral com Seguro, no Palácio de Belém, Lula da Silva irá abordar segurança internacional e temas de interesse da comunidade brasileira, como a nova lei de nacionalidade portuguesa.
Este será o primeiro encontro entre Lula da Silva e Seguro, já que o chefe de Estado brasileiro não conseguiu marcar presença na tomada de posse do presidente português devido a uma sobreposição na agenda.
c/ Lusa